
Assim como um Don da máfia enfrenta ameaças e desafios ao comandar uma organização criminosa, um CEO no Brasil precisa adotar certos atributos de um chefão mafioso para sobreviver – e prosperar – no ambiente hostil que é o nosso país.
Mas o que eu quero dizer com “ambiente hostil”?
Corrupção endêmica e institucionalizada em todos os níveis e impunidade cada vez mais cínica e normalizada. A aplicação da lei é seletiva e absolutamente imprevisível. A “Lei de Gérson” ainda reina soberana: admira-se o esperto, despreza-se o trabalhador digno. O honesto é considerado otário e se torna útil para que o esperto leve vantagem.
Boa-fé e integridade são vistas como fraquezas.
O crime organizado está infiltrando a economia formal: controlando empresas “legítimas”, lavam dinheiro e financiam campanhas políticas.
Empresas honestas correm o risco de, sem saber, se envolverem com capital criminoso — ou pior, serem engolidas pela concorrência financiada por dinheiro de tráfico. Diante disso, o CEO precisa se comportar como um Don de alguma maneira.
Não com violência — mas com inteligência estratégica, paranoia saudável e produtiva e uma ética interna clara e implacável.
Neste paper, vou tratar de alguns casos no qual o CEO precisa vestir o “smoking” do Don Corleone.
“Mantenha seus amigos por perto — e seus inimigos mais perto ainda.”
Essa frase, imortalizada por Al Pacino em “O Poderoso Chefão”, é uma grande lição para os empresários.
Seus inimigos podem ser: concorrentes, ex-funcionários, antigos fornecedores, sócios litigantes, autoridades corruptas, empresas que tentam assumir seu negócio por dentro. Às vezes, o inimigo é seu próprio sócio. Ou aquele “parceiro estratégico” sorridente. Pode ser um grupo infiltrado pelo crime que tenta coagir sua empresa a ser usada como ferramenta de lavagem.
Eles podem tentar te comprar. Se não der certo, podem ameaçar sua integridade. Ou sua família. Até com ameaça de violência ou chantagem fajuta. Seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, disputas societárias e processos judiciais já levaram a assassinatos.
Ações judiciais são usadas para extorsão. Falsas denúncias, investigações forjadas — tudo parte do jogo.
Os dois primeiros são fáceis: mantenha o bom e demita o péssimo. O maior perigo está no número 4. Em países com instituições fortes, o antiético pode ser contido por compliance e governança. No Brasil, ele corrompe e contamina a cultura da empresa.
Por isso, o antiético — por mais brilhante que seja — deve ser removido. Já o honesto e leal, mas não tão brilhante, nunca vai te trair e pode ser treinado.
Na máfia, a desonestidade é parte do negócio — mas nunca dentro da organização. Mentiu? É punido. Roubou?
Está morto. Literalmente. Outro princípio: membros muito competentes e muito ambiciosos são, no fundo, desleais.
Querem o lugar do chefe.
No mundo corporativo brasileiro, a lógica é parecida.
Podemos separar os funcionários em quatro categorias:
Os dois primeiros são fáceis: mantenha o bom e demita o péssimo. O maior perigo está no número 4. Em países com instituições fortes, o antiético pode ser contido por compliance e governança. No Brasil, ele corrompe e contamina a cultura da empresa.
Por isso, o antiético — por mais brilhante que seja — deve ser removido. Já o honesto e leal, mas não tão brilhante, nunca vai te trair e pode ser treinado. 04
As máfias possuem seu próprio sistema de justiça — rápido, interno e definitivo. No Brasil, uma organização não pode contar apenas com polícia ou Judiciário para investigar ou julgar.
A governança interna deve ser mais forte que o caos externo. O chefe da máfia faz uso estratégico do medo e da recompensa, mesclando generosidade com ameaça. Para o CEO no Brasil: trate empregados, parceiros e colaboradores com dignidade e respeito. Recompense a lealdade de forma generosa. Mas se sua benevolência e boa fé forem abusadas, então aja com implacável firmeza. Sem piedade.
Na máfia, dois papéis são essenciais: o Consigliere e o Cleaner.
O Consigliere é o conselheiro estratégico, frio e distante da emoção. No mundo empresarial, é o consultor de confiança que orienta em disputas societárias, extorsões ou ameaças.
O Cleaner é o executor de crises – o cara que limpa a sujeira. Como Mr.
Wolfe em Pulp Fiction, entra, avalia, calcula riscos e resolve. Na vida real, “sujeira” pode ser: um esquema de corrupção dentro da sua empresa; a morte suspeita de um executivo; chantagem. Poderia até ser uma filha que sofre um ataque na Europa, e é necessário evitar que vire caso de polícia — antes que os bandidos descubram quem ela é, e quem é a família dela.
A metodologia Wolfe segue quatro passos: avaliar, investigar, analisar riscos e executar a estratégia. Assim, a consultoria atua como Consigliere e
Cleaner: conselhos frios e objetivos, limpeza implacável.
O Brasil é um ambiente onde a boa-fé pode ser vista como fraqueza. O CEO precisa adotar a astúcia de um Don: cultivar aliados leais, neutralizar traidores, fortalecer governança interna e nunca depender exclusivamente da lei externa.
O poder se mantém não só pela generosidade, mas também pela disciplina, vigilância e firmeza.
Soluções para Organizações sob Ameaça